Diário de Bordo 45 – Jamais te direi adeus, Jerusalém.

Jamais direi adeus a ti Israel, porque eu voltarei em breve, para teus braços.

Não posso acreditar que este é o meu 30º dia na Terra Santa. Meu coração está triste, porque é chegada a hora de partir. Lágrimas rolam pelo meu rosto já de saudades dessa terra que emana leite e mel. Israel, eu jamais te direi adeus e nem sacudirei a poeira dos meus tênis e sandálias, mas guardarei em meu coração, para sempre cada milésimo de segundo que passei aqui.

Oh Deus meu, eu te agradeço por tanto amor, tanto zelo, tanto cuidado comigo. Que amor é esse? Pai, obrigada por me permitir entrar na terra prometida, na terra escolhida pelo Senhor, na terra que é a menina de seus olhos, me introduzindo por todas as suas portas, colocando anjos para me guiar e me mostrando coisas que olhos humanos não podem enxergar. Como uma gadita do Senhor, meu Yeshua Ramashia, eu te agradeço, Deus.

A minha última leitura em solo israelense é o Salmo 122, que diz:

“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor. Os nossos pés estão dentro das tuas portas, ó Jerusalém. Jerusalém está edificada como uma cidade bem estabelecida, para onde sobem as tribos, as tribos do Senhor, como estatuto de Israel, para darem graças ao nome do Senhor. Pois ali estão os tronos do juízo, os tronos da casa de David. Orai pela paz de Jerusalém: Prosperem aqueles que te amam. Haja paz dentro de teus muros e prosperidade dentro dos teus palácios. Por causa dos meus irmãos e amigos, direi: Haja paz em ti. Por causa da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o teu bem.”  –   Amém e Amém!

Como num filme me vi chegando de avião e tendo a minha primeira experiência com uma judia religiosa. Depois pisei em solo israelita. Parti para Haifa e a minha primeira lição foi a troca do segredo do cadeado, para eu ter certeza da minha dependência de Ti. Vi entre muitas outras coisas um dos jardins (Bahai) mais belos do mundo. Senti o frescor do Mar Mediterrâneo e a paz do seu imenso e sereno azul. Numa tarde vi uma pequena nuvem no horizonte do Monte Carmelo. Este foi o sinal que o Senhor me mostrou da única chuva que eu viria descer em forma de bênção para a terra prometida durante todo o meu período aqui. Vi mulheres drusas passeando com seus filhos pelas ruas de Isyfia. Conheci a casa da minha anja Elena. Andei de ônibus completamente perdida pelas ruas de Tel Aviv, uma cidade laica, barulhenta e altamente permissiva. Me encantei com a forma de se fazer arte em Jope e pensei na experiência de Jonas dentro da barriga da baleia. Fui transportada para Cesaréia Marítima e me senti andando no grande mercado instalado na época da finalização da construção do monumental porto, do sonho de Herodes. Me vi vestida com roupas da época assistindo os espetáculos no grande teatro e vendo as competições no hipódromo. Em seguida me vi observando o mar das agulhas das muralhas de Acre e me envolvi com os aromas fortes e delicados dos diversos sabores do mercado local. Quando percebi já estava subindo a Jerusalém e vi a alegria de Jesus enquanto Ele saltava pelos Montes. Por todos os lugares por onde passei, na Galiléia, Samaria ou na Judéia, sempre avistei Oliveiras, como símbolo da unção dessa terra. Bebi sucos de romã, para ser abençoada com fertilidade e abundância. Comi tâmaras e todos os frutos desta terra protegida pelo Senhor dos Exércitos. Ouvi sons e ritmos antes jamais escutados pelos meus ouvidos e me envolvi com rostos e costumes do mundo inteiro, dentro da pequena fortificação abençoada por Deus. Dei uma volta a pé por fora da cidade, para reconhecer o território fortificado. Visitei lugares históricos e fui ver a tumba de David, precursor da geração da qual faço parte, pois o meu Deus é o mesmo Deus de Abrão, de Isaac e de Israel.

Oh Israel, sei que cada lágrima minha que caiu em teu solo é apenas uma gota diante de um imenso oceano, mas desejo que elas sirvam para adubar pelo menos um pé de Oliveira, que produzirá azeite suficiente para iluminar muitos caminhos.

Oh Deus, tua presença é real neste lugar. Que força e que peso tem a sua mão sobre este território. Jerusalém, terra prometida, sonho de David, realidade nas mãos sábias de Salomão, almejada e conquistada por diversos povos, viveu destruições, pedras sobre pedras, cidade reerguida, cidade de cores, aromas e sons que mexem com todos os meus sentidos e, que jamais sairão do meu ser.

Oh Jerusalém, não sei se tu passastes a fazer parte da minha vida ou se eu sempre te pertenci e só agora te reconheci. Eu te reconheço em cada esquina, em cada ruela, em cada muro, em cada pedra, em cada rosto, em tudo… e, já sinto saudade.

Obrigada Jesus pela experiência na casa do jovem casal de judeus, no Rosh Hashaná. Quanto cuidado comigo! Quanto amor! Pude conhecer e vivenciar os rituais judeus de passagem do ano.

Andei por muitas páginas da Bíblia e conheci o lugar onde nasceu, depois onde morou e por onde andou o meu fiel companheiro e Príncipe da Paz – Jesus.

Belém, Nazaré, Caná, amigos do Shalom, histórias, depoimentos de vida, quanta vida! Mar da Galiléia, como foi bom mergulhar em suas águas, te conhecer de dia e de noite, suas ruas festivas e suas ruas desertas e beber das suas águas. Quantas experiências e revelações recebi de Jesus nessa região. Cafarnaum, Monte Tabor, quantas pessoas o Senhor fez passar pela minha vida.

Como foi difícil, mas não impossível a minha chegada a umas das últimas cidades ao norte de Israel, na base do topo do Monte Hermom onde pude ver duas das sete nascentes do rio Jordão a 300 e poucos metros acima do nível do Mar Mediterrâneo. Andei pelo parque florestal de Banias, na cidade de Cesaréia de Filipe, onde Jesus esteve.

O envio dos meus anjos, a confirmação do meu batismo em Yadernith, a viagem pelo deserto, os animais, o oásis, a chegada surpreendente ao provável verdadeiro lugar de batismo de Jesus, na fronteira com a Jordânia, em terra minada, perto da cidade de Jericó. Quanta paisagem que os olhos do meu espírito guardarão para sempre. Depois pisei no lugar mais baixo do planeta, boiei na água mais salgada do mundo e presenciei o por do sol de dentro do Mar Morto. Passando pelo deserto vi beduínos e pastores, camelos e ovelhas. A história do suicídio em massa em Massada, a surpresa do serviço do conserto do pneu furado, com muito valor e sem custo financeiro.

Israel, Terra do grande Rei, quanta vida, quantas histórias, quanta gente, quantos montes, quantos lugares…  

O meu retorno a Jerusalém, os meus novos amigos, as histórias, a intimidade, a música, os cheiros, os sons, a peregrinação, as lágrimas, os sinos, os ritos, as orações…

O Muro das Lamentações, o Santo Sepulcro, a Esplanada das Mesquitas. A unção de Deus está neste lugar. “Tua é a honra, Tua é a glória, Teu é o domínio, porque tudo é para Ti e por Ti amado da minha alma.

Paz, uma palavrinha tão pequena e é tudo o que Jerusalém precisa. O Príncipe da Paz esteve aqui, nasceu aqui, andou por aqui e não foi reconhecido pelo seu próprio povo. Fecharam a porta para Ele, mas Ele continua aqui, vivo, neste lugar, para julgar os vivos e os mortos.

Oh povo de pouca fé! Hoje eu conheço a semente de mostarda e eu creio mais do que nunca que o melhor de Deus ainda está por vir. Eu levarei comigo um punhado de suas sementes e entregarei àqueles que precisam reforçar a sua crença de que Deus tem o melhor para eles.

Perdoa-nos Pai! Somos pecadores e precisamos que o Senhor renove a cada dia a Sua misericórdia em nossas vidas.

Jerusalém, Jerusalém, abra os teus olhos e o teu coração enquanto ainda é tempo!

Porque Ele virá, saltando sobre os Montes para buscar a sua noiva, conforme prometeu. Ele é fiel para cumprir!

Se em Jerusalém tivesse mais água talvez o povo tivesse aprendido que ela não perde tempo com as barreiras e obstáculos que aparecem para impedi-la de prosseguir o seu rumo. A água, simplesmente contorna com sabedoria todos os obstáculos para chegar ao seu objetivo e desaguar no seu destino final. O Jordão desce, atravessa o Mar da Galiléia e desemboca no Mar Morto. É Ele quem alimenta e dá vida a Israel.

 Sinto que o meu corpo parte, mas o meu espírito continua por aqui, de braços abertos para Ti, meu Senhor. Que amor é esse? Que amor é esse, que completa, enche e transborda? Começo a entender o que significa: “fluirão rios de água viva”

Obrigada Deus! Eis-me aqui Jesus! Estou pronta para me deixar guiar pelo Espírito Santo.

Paz! Shalom Adonai! As-Salaam-Alaykum! Peace!

Até breve!

See you in Jerusalém.

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Diário de Bordo 44 – Marinheira de 1ª Viagem

Quando cheguei à New Gate o combinado era esperar o motorista do Shuttle (Transfer) me ligar para avisar onde ele estaria me esperando.

Neste momento meu celular começou a apitar informando que a bateria estava no fim. Poxa, logo agora que o motorista vai me ligar, para avisar em que ponto devo esperá-lo?!?! Não acredito nisso!

Enquanto estava ali na frente da Porta Nova esperando o transfer passaram alguns Taxis perguntando para onde eu ia. Naquele momento eu não tinha telefone e nem relógio para controlar as horas e o movimento de carros estava diminuindo.

Resolvi negociar com um Taxi, para me levar até o Hotel Ambassador que fica no Monte Scopus. Fechamos em 25 NIS e lá fui eu pensando no coitado do homem do transfer que devia estar tentando me ligar e no Andreas que deveria estar sendo acordado, porque o número do telefone dele deve ter ficado registrado quando ele ligou para marcar o Shuttle para mim.

Lá chegando estavam uns 40 brasileiros na porta do Hotel, para embarcar. O apóstolo que me batizou também estava lá com sua esposa e filhos e vários outros pastores. Uma pastora, quando me viu disse que eu não poderia embarcar com o shoffar na mão, porque a Ibéria não permite nem pele e nem chifre de animais em seus vôos. Meu Deus e agora, o que faço? Não cabe na minha mala, nem se eu esvaziá-la. O shoffar é maior! Deus, me ajude! Vendo a minha aflição, em cima da hora em busca de uma solução, o pastor Maicon, do Rio de Janeiro me ofereceu sua mala para colocar o shoffar que eu estava levando de encomenda para o pastor Eliezer e, que já tinha uma história enorme. Ufa! Graças a Deus.

Entramos no ônibus, oramos e seguimos para o aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv.

Fiquei pensando como Deus é perfeito nos mínimos detalhes. Como é que eu ainda perdia o meu tempo para ficar ansiosa depois de ter experimentado o favor divino Dele todos esses dias na minha vida? Jesus, por favor, tenha misericórdia de mim, pois eu preciso aprender muito ainda!

O shoffar, que agora segue para o Brasil na mala do pastor Maicon, me foi encomendado com a soma de oferta de algumas ovelhas do pastor Eliezer. Na minha primeira semana em Jerusalém pedi para Jesus me levar a uma loja para comprar não “qualquer” shoffar, que eu poderia ter comprado nas mais diversas lojas do mercado, a  preço, inclusive, mais barato do que o valor que eu tinha em mãos. Eu sabia que eu precisava levar “aquele” shoffar, no valor que eu havia recebido, para o levita do Senhor. Então entrei numa loja no bairro Judeu onde só existiam shoffares carésimos. Conversei com os donos, pai e filho que me mostraram muitas peças diferentes. Todas lindas, mas muito acima do valor que eu tinha para comprar. Negociei com eles e a redução não chegou perto do que eu podia pagar. Já desistindo agradeci e comecei a sair da loja triste, porque não tinha como comprar ali. O filho me chamou de volta, subiu numa escada e em cima da porta da rua abriu um armário e retirou um shoffar menor, lindo e diferente de todos os outros. Desceu, colocou-o em minhas mãos, me disse o preço que ele valia e me perguntou quanto eu daria por ele? Eu respondi que, infelizmente, não estava mais em condições de negociar, porque eu só tinha o valor que estava em minhas mãos e nem um dólar a mais. A minha sinceridade fez com que o judeu me vendesse pelo exato valor que eu tinha.

Sai dali e fui consagrá-lo a Deus na pedra rosa do Santo Sepulcro. No caminho veio à minha mente a história bíblica, que narra a ida de Samuel à casa de Jessé, para ungir David como rei de Israel a pedido de Deus. Jessé fez passar todos os seus 7 filhos e quando Samuel perguntou se aqueles eram todos? Ele respondeu que ainda existia um, o menor. Ao vê-lo Samuel teve certeza de que aquele era o escolhido de Deus e o ungiu. Vale a pena ler 1Samuel 16: 1,13

Dentro do ônibus com o grupo de brasileiros, na metade do caminho entrou a guia que acompanhou o grupo deles durante toda a estada em Israel. Ao chegar ao aeroporto entrou um policial no onibus para fazer uma breve verificação. Depois saltamos e a guia mandou cada um pegar um carrinho e entrar pela porta de nº 13, para passar a mala pelo raio-X. A mala que recebesse a etiqueta preta e branca poderia seguir para o check in da Ibéria. A mala que recebesse uma etiqueta amarela deveria seguir para o segundo raio-X. Lá fui eu, para o segundo raios-X.  A jovem fiscal me perguntou se eu tinha feito minha mala sozinha ou com a ajuda de alguém? Depois se eu havia recebido algum presente e de quem? Depois me perguntou a quantidade de garrafas com lama ou água que eu estava levando e em que local da mala eu havia guardado? Depois perguntou a quantidade de pratinhos de porcelana e em que loja eu havia comprado? Tudo isso sem abrir ou tocar em nada dentro de minha mala fechada. Ela apenas via tudo pela tela do Raio-X a sua frente. Depois de ouvir minhas respostas ela colocou uma etiqueta preta e branca na minha mala e fui direto despachá-la, porque já havia feito o check-in na internet do amigo de Midal. Ganhei horas com isso, porque a fila do check in estava enorme.

Entrei na área de embarque e fiquei sentada esperando o pastor que havia colocado o shoffar em sua mala. Ainda tinha muito tempo antes de embarcar e resolvi escrever o meu último diário antes de deixar o solo da Terra Prometida. Abri mais uma vez o notebook, que meu amigo Fernando tinha me emprestado e comecei a escrever o que estava sentindo naquele momento.

Obrigada Senhor pelo imenso amor, cuidado e atenção comigo. Se eu não tivesse encontrado aquele casal nas ruas de Jerusalém, me oferecendo uma poltrona no ônibus, se a bateria do meu celular não tivesse acabado, eu teria chegado sozinha no aeroporto e o shoffar não teria embarcado para o Brasil.

O Senhor cuida de tudo, nos mínimos detalhes. Como é importante estar no centro de Sua vontade. Como é bom andar com o Senhor.  Muito obrigada Jesus!

 

Diário de Bordo 43 – Meu último dia na Terra Prometida

Acordei assustada com o forte barulho de chuva. Uau! Finalmente eu veria cair chuva abundante em Jerusalém. Levantei sonada e fechei os olhos para ouvir melhor o barulho da chuva. O meu quarto fica no subsolo e o pé direito é altíssimo. Para ter acesso à janela preciso subir numa escada para ver o movimento da rua, que está quase no mesmo nível da minha janela. Então subi as escadas e quando abri a janela tomei um banho de jato d´água com um delicioso perfume. Dei um grito de susto e quase perdi o equilíbrio e por muito pouco não cai da escada em cima das camas.

Estavam lavando as ruas de Jerusalém, com uma mangueira de força poderosa! A água tinha o perfume de Jerusalém. Um aroma suave e doce. O comércio ainda estava fechado e além dos rapazes que lavavam as pedras, só vi passar uma moça pela rua quase deserta.

Desci da escada, me sequei com a toalha e procurei meu celular para ver a hora. 5h52! Acho que nunca acordei tão cedo! É o meu coração me preparando para a partida. Os meus dias na Terra Santa chegaram ao fim. 29 dias andando no caminho de Jesus passaram muito rápido. Parece que cheguei ontem.

Parei para pensar em tudo o que vivi nestes últimos dias e tive a tranquila sensação no meu coração e mente de que, se Deus me chamasse agora, eu iria em paz e, com um sorriso nos lábios e alegria no coração por ter sido separada por Ele para viver tudo o que tinha vivido aqui. Sonho realizado dá uma sensação de plenitude e bem estar indescritível. Descobri que não precisamos ter muitas coisas. O mais importante é a paz no coração. A sensação é tão forte que enchia o meu coração, tomava conta do quarto com todas as camas vazias e preenchia todos os espaços da grande casa, toda de pedra que me acolheu em Jerusalém. Que honra viver dentro da cidade fortificada!

A verdade é que não quero voltar para o Brasil. Pai, eu quero ficar mais um pouco na sua presença! Eu sei que o Senhor está em todos os lugares e vai estar ao meu lado quando eu voltar para o Brasil, mas aqui tem algo de diferente. Aqui me sinto em casa totalmente! É uma sensação estranha, diferente e muito, mas muito gostosa.

Resolvi sair bem cedo para ver a cidade acordando. Nem tomei banho, porque não queria perder o cheiro do perfume que ficou no meu cabelo e corpo. A cozinha estava vazia. Tomei café e às 6h30 estava fechando a porta da rua.

A cidade estava perfumada e pronta para receber o seu noivo. Passei um lencinho de papel na pedra do chão, em frente a minha casa, para guardar o perfume do local, para sempre. Pensei que poderíamos fazer o mesmo na Rua das Pedras. As pedras deveriam ser lavadas e perfumadas todos os dias pela manhã, antes do movimento começar. Que delicadeza seria receber os moradores e turistas numa rua limpinha e perfumada.

Que sensação boa e ao mesmo tempo estranha andar pelas ruas de Jerusalém vazias, perfumadas e sem o barulho, as cores e cheiros deliciosos dos mercados, ainda fechados. Somente os lixeiros passavam por mim limpando as ruas.

Pouco a pouco as pessoas começaram a sair de suas casas em direção aos seus trabalhos e as mães com as crianças para as escolas.

Quando percebi estava em frente ao Santo Sepulcro. Entrei para olhar tudo novamente com olhos de último dia. Estavam acontecendo 4 cultos/missas ao mesmo tempo em ambientes e andares distintos. O mais incrível é que a música nas línguas árabe, italiano, latim e outra que não consegui reconhecer envolviam o ambiente em total harmonia, como se todos estivessem na mesma nota e cantando a mesma música. Andei de um ambiente a outro para me certificar e depois fiquei parada ouvindo e imaginando como era possível??

Subi e fiquei sozinha no ambiente onde dizem que Jesus foi crucificado. Incrível, não tinha ninguém onde normalmente tem fila para entrar! Ajoelhei-me e orei agradecendo a Deus por tudo o que Ele fez na minha vida. Agradeci a Jesus por morrer na cruz para me salvar e agradeci ao Espírito Santo de Deus por estar ali naquele lugar.

Quando estava saindo da Igreja alguém chamou o meu nome e quando olhei para trás vi o meu amigo Michael, australiano. Ele havia chegado ontem e estava hospedado na Casa Nova. Com um enorme sorriso e o seu carregado inglês australiano, ele disse que estava a minha procura, porque nós nos esquecemos de trocar telefones e e-mails e, ele tinha muitas fotos minhas para me passar. Depois de anotarmos tudo ele me disse que queria ir visitar a Tumba do Jardim e estava perdido sem saber para que lado deveria ir. Sai com ele pela New Gate e fomos descendo e conversando ao lado do muro até a Damasco Gate. Atravessamos a pequena Avenida de duas mãos e eu mostrei para ele a rua e, como ele deveria fazer para chegar lá. Nos despedimos com um forte abraço e retornei. Naquele momento, passou um ônibus e quem estava dentro era minha amiga francesa Catherine, olhando pela janela. Gritei seu nome e ela me deu tchau e eu lhe mandei beijos. Parei na escadaria, antes de descer para a Porta de Damasco e não dei mais nenhum passo antes de conversar com Deus. Perguntei o que Ele queria me dizer com aqueles encontros?
Ele estava claramente fazendo passar na minha frente os anjos que ele colocou na minha vida, para eu não duvidar que foi Ele quem os trouxe até mim e que não existe nada por acaso!

Entrei pela porta de Damasco em êxtase e fui subindo pelo bairro Muçulmano. Atravessei a Via Crucis e muita gente seguia a romaria com os padres que iam à frente. Eles paravam em cada ponto com um gravador pendurado ao pescoço contando em várias línguas, inclusive português, todos os momentos do sofrimento de Jesus até chegar ao Monte do Calvário, para ser crucificado. Muita gente chorava e eu tive vontade de gritar – Hei gente! Jesus está aqui vivo, ao meu lado, de mãos dadas comigo, vocês não estão vendo? Ele acabou de me mostrar os dois anjos que colocou no meu caminho. Parem de chorar –  basta adorá-lo!!Segui para o bairro Judeu, passei pelo check point quase vazio e entrei para orar no Muro das Lamentações.Orei até as 12h30, horário em que naquele dia eu poderia entrar novamente na Esplanada das Mesquitas. Me despedi dos 3 lugares que tocaram o meu coração. Do canto da Esplanada das Mesquitas fiquei olhando para o meu Monte (das Oliveiras) e agradeci mais uma vez a Deus por aquela oportunidade e pensei no Salmo 121 – “Elevo os olhos para os montes; de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormirá. Certamente não dormirá nem dormirá o guarda de Israel. O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita. O sol não te importunará de dia, nem a lua de noite. O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a tua alma. O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.” – Amém!

Desci e fui para o pacato bairro dos Armênios, para olhar mais uma vez as lindas criações e pinturas em porcelanas que eles fazem. Fiquei sabendo que a geração atual é uma mistura entre as mulheres Armênias e os homens Cruzados. Na guerra, os homens Armênios morreram e muitos dos homens Cruzados tomaram as mulheres como suas e acabaram ficando em Jerusalém.

Passei pelo restaurante do Salomon e comi o último falafel. Que sabor delicioso!

Entrei na loja de Midal e ele me indicou a internet de seu amigo a 200m dali, para poder imprimir o meu ticket e fazer o meu check in pela web. Ele disse que talvez em 2014 venha ao Brasil para ver a Copa do Mundo, mas tem certeza de que me verá antes em Jerusalém. Eu creio! Uhuuu!

Encontrei pela 3ª vez o casal de brasileiros que encontrei em Yardenith e depois no Mar Morto. Eles me disseram que estavam hospedados no Hotel Ambassador e viajariam naquela madrugada no mesmo vôo que eu. O ônibus turístico iria buscar o grupo de brasileiros no hotel para levá-los ao aeroporto à 1h da manhã. Se eu precisasse de carona haveria uma poltrona vazia para mim no ônibus deles. Agradeci o carinho e me despedi sem descartar a possibilidade dizendo que provavelmente não iria, pois meu amigo Andreas havia reservado um transfer para mim, que sairia da New Gate às 00h45, para o aeroporto por apenas 58NIS e o Taxi que eu gastaria para o Hotel deles ficaria em torno de 35NIS.

Cheguei a minha casa e fui arrumar a mala. Minha anja Elena me ligou para saber como eu estava e para me desejar uma excelente viagem.
Agradeci o amor e carinho como fui recebida por ela e por todo o grupo Shalom de Haifa e Nazaré. Logo depois alguém bateu na porta do meu quarto.  Anne Marie havia chegado de Tiberíades e veio se despedir e me trazer sua echarpe branca, para eu escrever algumas palavras para ela. Fiquei emocionada com o carinho e prestígio.

Subi para fazer um lanche na cozinha antes de deixar a casa e encontrei Andreas me esperando lá, para me dar um forte abraço, me desejar uma excelente viagem e dizer que Deus é conosco. Dei meu cartão com e-mail e telefone para ele. Ele ficou feliz, sorriu e partiu para seu quarto selando a nossa amizade.

Fechei a porta da minha casa em Jerusalém às 00h25 e saí andando pelas ruas desertas. Eu podia ouvir o meu coração batendo e pulsando nas minhas veias.

A cada passo uma lágrima caia de saudade, de agradecimento e de carinho por aquela terra prometida, que eu passei a amá-la verdadeiramente e por todos os seus filhos, judeus, árabes, europeus e de outras nacionalidades, que me receberam de braços abertos.

Obrigada Jesus. Eu orarei e intercederei mais ainda pela paz em Jerusalém e por toda a terra de Israel.

Diário de Bordo 42 – Visitando onde nasceu João Batista

Voltamos andando pelo bairro Armênio e eu tive a oportunidade de mostrar a minha amiga Maria Marta detalhes que ela, apesar de morar há mais de 15 anos em Jerusalém, nunca tinha observado. Ela ficou encantada com os desenhos feitos nas juntas de argamassa nas pedras dos muros. Isto só existe no bairro dos armênios, que desenvolvem lindos trabalhos artesanais de produção e pintura em cerâmica.

        

Antes de voltarmos para nossa casa eu convidei minha freirinha, para comer um falafel comigo no restaurante do meu amigo árabe Salomon.

Lá apresentei os dois e tivemos a oportunidade de conversar mais um pouco. Descobri que no rito Melquita, os cristãos fazem o sinal da cruz no sentido inverso aos católicos. “Em nome do Pai”, eles descem a mão da cabeça (racional) ao centro do abdômen, (centro do nosso espírito); “do Filho” – eles tocam o ombro direito (porque é sentado à direita do Pai, que Jesus está) e; “do Espírito Santo”, eles terminam a cruz no lado esquerdo, tocando no coração, (para demonstrar o quanto eles amam a presença do Espírito Santo em suas vidas). Que lindo! Vivendo e aprendendo os significados e ritos que tentam aproximar o homem de Deus.

Os judeus também mantém um ritual para lembrar a unidade com Deus. Na porta de suas casas, no umbral direito está fixada a Mezuzah, que é uma caixinha tubular. Todas as vezes que eles entram ou saem de suas casas tocam e beijam num ritual diário, como símbolo da sua fé em Deus.

Minha amiga freirinha me disse que aprendeu durante todos esses anos de vida dedicada a Jesus, que não existe certo ou errado, melhor ou pior. Precisamos respeitar uns aos outros e cumprir a ordem de Deus – anunciar o evangelho de Jesus Cristo, para todas as pessoas em todo o mundo. Isso significa fazer com que todas as pessoas saibam quem foi e é Jesus. Se as pessoas vão aceitá-lo ou não, já não depende de nós, mas do Espírito Santo.
Deus tem um desígnio para cada um de nós e o que vale verdadeiramente é a intenção mais profunda do nosso coração. É isso que agrada a Deus, a essência do nosso coração.

Quando voltamos para nossa casa, minha amiga me disse para eu procurar conhecer Valéria, uma italiana missionária que estava organizando um grupo para ir visitar a cidade de Ein Karen no dia seguinte.

Agradeci o dia maravilho e os ensinamentos recebidos e nos despedimos pela última vez, dessa vez.

Todos na casa conheciam Valéria, mas ninguém sabia onde ela estava. Ok! No Problem! Vou dormir e descansar no Senhor, porque amanhã se for da vontade Dele, eu irei conhecer onde João Batista nasceu e morou, porque agora que aprendi, não sei mais andar sem a presença do Espírito Santo de Deus ao meu lado.

Acordei fui para a cozinha e lá estava Andreas, o antipático canadense que me abriu a porta quando cheguei de viagem e, como eu não tinha como entrar toquei a campanhia dele. Ele é uma pessoa fechada e, só ouço a sua voz falando ao telefone em hebraico. Eram 9 horas da manhã e eu sabia que o encontro aconteceria em algum lugar às 10h. Perguntei ao Andreas se ele conhecia a Valéria e ele me respondeu um seco – Sim. Perguntei então onde poderia encontrá-la, ele me disse – na Igreja as 10! Aquele diálogo com respostas monossilábicas estava me deixando sem paciência e então perguntei – Qual Igreja? E ele respondeu – aqui do lado. Excelente resposta! Tem Igreja para todos os lados. OK! Vou sair enquanto tenho tempo e vou procurar Valéria, afinal a cidade murada de Jerusalém não é tão grande assim!

Quando sai de casa e decidi ir para a direita, me lembrei que no meu primeiro dia em Jerusalém, Jesus havia me levado a uma Igreja no segundo andar, que não aparece nenhuma placa na rua. Então fui para lá. O porteiro sabe quem é Valéria, mas não a viu hoje. Eu perguntei se ele sabia algo sobre a excursão para Ein Karen e ele disse que não. Então, me sugeriu subir e assistir o resto da missa em árabe, para depois perguntar ao padre. Aceitei a sugestão e subi. Apesar de não entender nada em árabe a missa foi muito bonita. Quase no final ele veio me mostrar quem era a Valéria, que tinha subido e sentado 3 bancos a minha frente. Fui conversar com ela em portuliano e combinamos de encontrar no estacionamento dos fundos dessa Igreja às 11h, porque agora vai começar a missa das 10h em italiano. OK! Quando comecei a descer as escadas para voltar para casa e tomar o meu café da manhã tranquila, vi além do Andreas, vários missionários que estão na mesma casa que eu e, inclusive a Luigina. Ah, então é aqui que todos se encontram no domingo de manhã! Passei ao lado do Andreas com vontade de puxar as orelhas dele, mas ele nem olhou para mim.

As 11h15 estávamos todos lá. Nós éramos 11 pessoas e a 12ª era Jesus, que veio para nos acompanhar. Fui apresentada a todos e inclusive ao Andreas. Foi ali que fiquei sabendo o seu nome. Saímos na companhia do frei David, que mora no Monastério de Ein Karen e foi o nosso guia humano. Subimos para sair pela Porta Nova, para pegar o trem gratuito e descobrimos que estava em greve. Então descemos andando pelos caminhos dos trilhos até o ponto de ônibus que nos levaria para Ein Karen. Pegamos o ônibus nº 19 lotado e saltamos num vale entre 4 grandes montanhas e começamos uma caminhada de 2h10, por uma
estradinha de terra e pedras chamada “caminho dos franciscanos” subindo uma das montanhas até chegar ao Monastério. A paisagem é linda e vimos ruínas de uma cidade, que foi totalmente destruída e tem muitas cavernas e grutas. Na verdade a cidade de Ein Karen ficou para trás e estávamos seguindo para o Monastério que guarda o lugar onde nasceu João Batista e onde Maria esteve visitando sua prima Isabel, quando as duas estavam grávidas. Fiquei imaginando quantas cavernas encobertas ainda devem existir por ali guardando segredos.

Entramos e tinham alguns turistas japones visitando o lago com peixes coloridos e a gruta. Com o frei David entramos em local privado, que só os franciscanos têm acesso e conheci toda a área do Monastério e a sala de jantar deles com ícones de todos os apóstolos em tamanho real.

Em seguida fomos convidados a sentar às mesas dispostas na varanda e todos os meus colegas e inclusive o frei abriram suas mochilas e sacaram seus lanches para comer. Ah! Como assim?? Ninguém me avisou nada. Eu não trouxe nenhum lanche! O único que reparou que eu não tinha nada a não ser uma garrafinha d´água e meio tablete de chocolate foi o Andreas, que se sentando ao meu lado dividiu o seu pão árabe com húmus comigo e tudo o mais que ele havia trazido (frutas e biscoito) ele repartiu ao meio e me deu. Comi, agradeci e finalmente ele sorriu para mim e começamos a conversar. Ele mora há 10 anos na casa em que estou hospedada. Ele fez a Universidade de Teologia em Jerusalém durante 5 anos e, agora é o responsável pela mídia (revistas, jornais e web) dos franciscanos na Terra Santa. Andreas nasceu em Ottawa, no Canadá e fala inglês, francês, italiano, alemão e hebraico. Então, finalmente começamos a nos comunicar melhor em alemão. Perguntei por que ele é tão antipático? Ele riu e disse que não aguenta o entra e sai de peregrinos barulhentos que frequentam os mesmos corredores que ele e, que fazem da cozinha um escritório espalhando mapas, anotações e notebook em cima das mesas.
Eu perguntei – assim como eu? Ele riu e continuou a falar pedindo para eu me colocar no lugar dele, morando e trabalhando lá. Às vezes tem grupos que parecem estar numa festa e que não o deixam descansar. O trabalho dele exige atenção e cuidado para nada sair errado. Os filmes, as entrevistas que ele faz e produz para os vídeos da Custódia Franciscana devem ser excelentes e ele está sempre buscando qualidade. OK! Entendi! Sorry! 

Lemos passagens da Bíblia todos juntos, cada um na sua lingua e o frei David nos explicou que ali perto tem uma Igreja Luterana e outra do culto Maronita. Como eles não são muitos, frequentemente os padres e pastores se encontram no Monastério Franciscano, que tem mais espaço, para juntos louvar a Deus. Que fantástico – Pensei eu! Três distintas religiões unidas em Israel, em prol do Reino de Deus. Em Búzios, onde vivo, eu vejo a dificuldade para unir líderes espirituais, para realizar um evento em conjunto para salvar almas. 

Voltamos pelo mesmo caminho a pé por mais duas horas curtindo o por do sol e o belo efeito do brilho da luz nas montanhas. Quando subimos a Jerusalém já era noite e a lua brilhava no céu. Exaustos mas agradecidos pelo lindo dia, pela presença de Deus em nossas vidas, pelos inúmeros ensinamentos e pela certeza de que é possível a unidade em prol do Reino. Atitude é o segredo!

Diário de Bordo 41 – A semente de mostarda, porque Ele é fiel!

Estava com saudades da minha amiga freirinha e fui visitá-la no outro bloco, porque desde que voltei para Jerusalém não tive a oportunidade de cruzar com ela pelos corredores ou na cozinha. Quando me viu ela
ficou tão feliz com a surpresa, que me convidou para passear pela cidade. Disse que me levaria a um lugar fascinante e, que depois lancharíamos juntas.

Lá fomos nós em direção a Porta de Sião. Ela me pediu para parar na frente do portão, observar e dizer o que estava vendo. Uau, a pedra é toda marcada de furos – disse eu. Sim, ela é toda furada, por causa da guerra que houve quando os judeus invadiram a cidade para tomar posse.

Quando passamos pela Zion Gate à nossa direita na descida estava a Basílica da Dormição e a Câmara do Holocausto. Minha amiga freirinha não parou ali e continuou andando para o lado esquerdo e eu continuei seguindo-a.

Descendo o Monte Sião, Maria Marta me mostrou a Igreja que queria que eu conhecesse. A Igreja de São Pedro em Galicanto.

De onde estávamos ela me mostrou:- a vista para o Monte das Oliveiras,

– a esquina da fortificação de Jerusalém, de onde foi jogado o apóstolo São Tiago.

– logo abaixo o bairro árabe, onde está localizada a piscina
de Siloé.

– acima e a direita do Monte das Oliveiras, no local mais arborizado está o Monte do Escândalo, onde Salomão colocou todos os ídolos de suas mulheres e ali se perdeu.

– as ruínas da casa de Caifás e a estrada de pedras, por onde Jesus passou com seus apóstolos em direção ao Monte das Oliveiras e depois subiu preso e acompanhado dos soldados que o levaram até Caifás e em seguida o depositaram  no fundo do poço, da prisão.

Descemos em direção a Igreja que tem um galo de ferro em sua cúpula. 

Em Lucas 22:61,62 diz: “Virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra que o Senhor lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negará.”

Depois de me mostrar todas essas paisagens entramos na Igreja, que tem belos ícones com as 3 passagens da negação e mais a do arrependimento de Pedro e descemos até o fundo poço, onde Jesus foi aprisionado como um homem muito perigoso.

 

Lá, onde o vazio doeu no meu coração, ela me disse que mais importante do que todas essas imagens que eu vi e pude imaginar como Jesus se locomovia por entre os Montes e etc., era o momento de oração e de nosso pedido a Jesus, para que Ele pudesse nos olhar como olhou para Pedro, porque nós somos pecadores e precisamos da ajuda do olhar Dele para vermos onde, quando e contra quem pecamos. Precisamos pedir perdão a Deus de todos os nossos pecados nominalmente e não de forma geral, juntando todos os nossos pecados num pacote só.

Ela me deixou ali para que eu pudesse meditar e disse que quando eu quisesse subir a encontraria na capela lateral da nave central da Igreja.

 

 

 

 

 

 

 

Fiquei ali sozinha no fundo do poço rodeada por aquelas pedras frias que um dia acolheram Jesus.

 

 

 

Pai, que o seu olhar caia sobre mim, a fim de que eu possa ver onde pequei.

Tende misericórdia de mim, Jesus!

 

Diferentemente da outra vez, hoje minha freirinha Maria Marta não estava apressada. Andava como gente normal e fomos passeando pelas ruas de pedras. Não existe grama aqui. Num determinado momento ela parou diante de uma árvore e me perguntou se eu conhecia? Não sei que árvore é essa – respondi.
Então ela me contou a parábola do grão de mostarda, que está em Mateus 13: 31,35.

Obrigada Jesus, eu já havia esquecido, mas Deus, que é fiel, lembrou do meu pedido de não partir de Israel sem antes conhecer a semente da mostarda. Então ela espalhou sobre as minhas mãos as sementinhas mais finas e muito menores do que 1/2 grão de areia da praia de Geribá.

Eu só tenho que agradecer! Obrigada Jesus por me ouvir, por dar atenção aos meus pedidos, por tanto amor e cuidado comigo!

Perdão Pai por eu não dedicar mais tempo ao Senhor, enquanto perco tempo com tantas outras coisas. Perdão Pai, porque eu não sou fiel como o Senhor, porque eu ainda não cumpri todas as promessas que um dia Te fiz. Perdão Pai, porque eu não sou digna de Ti e, ainda não sei o que fazer com tanto zelo e amor.

Eu te amo, Pai! Eu estou aqui só para Te adorar! A  Ti toda honra, toda glória e o meu louvor. Eu só preciso da Tua presença.

Não me abandone jamais!

Obrigada Jesus!

Diário de Bordo 40 – Um dia no Museu

Eu e minha amiga francesa Anne Marie combinamos de passar um dia dentro do Museu do Livro, que fica perto da Universidade Hebraica, no Monte Scopus. Foi neste Monte que os invasores de Jesusalém sempre buscaram se instalar antes dos ataques, para tomar conhecimento de tudo o que estava acontecendo na cidade.

Tomamos café e subimos em direção à porta Nova (New Gate) para pegar o trem gratuito até a Estação Central de Onibus de Jerusalém. Ali perto fica uma ponte com design estilo obra de arte. De lá pegamos o ônibus nº 9 para o Museu.

De cara entramos para conhecer os manuscritos antigos, que comprovaram a autenticidade da Bíblia e a história de como foram encontrados em 1947 por beduínos, acidentalmente nas cavernas de Qumran, por onde eu passei de carro, no Mar Morto.

Vimos também cópias do Código Aleppo, que foi escrito em Jerusalém, no séc. X a.C. e descoberto depois na Sinagoga da Síria. Segundo informações, este seria o primeiro livro da Bíblia em hebraico. O código tem 487 páginas e é o mais completo texto massorético. No entanto, o mais antigo de todos é o papiro de Nash onde consta a inscrição em hebraico (IHVH) que significa JEOVÁ, o nome de Deus através do tetragrama.

Fiz algumas fotos internas até que o guarda veio me dizer que era proibido.

Visitamos todos os prédios e galerias do Museu. Assistimos em diversas salas filmes explicativos. Observamos obras artesanais que indicam como os povos da época se relacionavam uns com os outros.

Depois andamos por todos os lindos e cuidados jardins e nos demos conta de que um dia é muito pouco para conhecer tudo.

 

 

 

Minha amiga se afastou um pouco e eu sentei num banquinho. Fiquei olhando aquelas pessoas andando ao meu redor, turistas do mundo inteiro, judeus, árabes e eu ali, apaixonada por tudo que estava vendo e mais ainda pelo que estava sentindo. Naquele momento eu tive a certeza de que 30 dias não era nada para conhecer tantas coisas. O que mais me chamava a atenção é que eu não sentia saudades de casa.

A presença de Deus é tão forte, mas tão forte neste lugar, que você se sente completamente cheia e não sente falta de absolutamente nada!

Aqui não é um lugar para se tirar férias, aqui não é um lugar para se divertir. Aqui é um lugar de crescimento, um lugar de entendimento, um lugar de preenchimento, um lugar de adoração. Aqui é a casa de Deus. Ele escolheu este lugar. Em todo o Israel você sente a presença Dele. É real a presença Dele aqui neste lugar.

A areia clama, as pedras falam, o vento grita o nome Dele. Só as pessoas é que ainda não entenderam que aqui elas só precisam adorar…

Anne Marie voltou e fomos juntas andar ao redor da maquete do 2º Templo construído por Herodes e vimos a disposição arquitetônica da Jerusalém da época.

Refleti sobre o que diz os dois textos Bíblicos, que li no Museu do Livro:

Em Eclesiastes 12:12 diz “Demais disto, filho meu, atenta: Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne.”

Isaias 2:3 diz “Virão muitos povos e dirão: Vinde, subamos aos montes do Senhor, ao templo do Deus de Jacó. Ele nos ensinará o que concerne aos seus caminhos, para que andemos nas suas veredas. De Sião sairá a lei, de Jerusalém, a palavra do Senhor.”

Amém!

Diário de Bordo 39 – Continuando a fazer amigos

Onde estou morando é um lugar de residência para missionários de todo o mundo. O prédio é enorme e está sob a custódia dos Franciscanos. De um lado moram a minha amiga freirinha Maria Marta e vários missionários e, do outro lado, onde estou peregrinos que alugam quartos individuais ou quartos com várias camas, para pessoas do mesmo sexo.

Por providência divina a área da cozinha dos missionários está em reforma e eles passaram a fazer suas refeições na minha cozinha. Assim, tive a oportunidade de conhecer muitos missionários legais rabalhando na Terra Santa.

Lucas é um fotógrafo italiano e está aqui há seis meses com sua esposa e filha de 2 anos prestando serviços fotográficos para a Custódia.
Algumas das fotos das revistas que são impressas aqui são dele.

Maria é arquiteta e chegou de Madrid há dois meses, para um contrato de no mínimo 3 meses e no máximo 9 meses podendo ser renovado. Ela veio reformar os nteriores    das casas cristãs que estão precisando de reforma, uma vez que por fora nada pode ser mudado, construído ou reformado, pois Jerusalém é Patrimônio da Humanidade. Ela me contou que está formada há dois anos e não encontra emprego em Madrid. De sua turma de formandos até agora ninguém está empregado na área. Como ela faz parte de uma comunidade católica, o padre de sua Igreja convidou-a a participar deste projeto de reforma em Jerusalém. Ela aceitou e está amando a experiência, que vai ficar em seu coração para o resto de sua vida. Ela recebeu a passagem de avião de ida e volta, moradia incluindo alimentação, aulas de hebraico ou árabe gratuitas e vida em comunhão com Cristo dentro dos preceitos dos franciscanos. Seu trabalho só não é remunerado, pois ela é missionária na Terra Santa, mas ela receberá um certificado que fará história em seu currículo. Não é qualquer um que tem um certificado de reformas na cidade de Jerusalém. Que honra!

Conheci também uma londrina, de nome Stella, professora de flauta doce. Ela também é missionária da Custódia Franciscana e desenvolve um trabalho ecumênico lindo, sem bandeira religiosa, para atrair e dar oportunidade ao mix de cultura de Jerusalém. Ela ministra aula de música para jovens hebreus, árabes e todas as nacionalidades que se inscrevem para aprender.

Ela me convidou para um concerto de jovens da Comunidade de Jerusalém. Fui e fiquei maravilhada. A Igreja, que fica ao lado do morro do Gólgota, na rua que fica em frente à porta de Damasco estava lotada de gente muito bem arrumada e amante de concertos musicais. Reparei que mesmo sendo dentro de uma Igreja católica, tinham israelitas, árabes, europeus cristãos católicos e protestantes, ou seja, pessoas de distintas religiões e denominações, acompanhando a apresentação de seus filhos e amigos.

Filmei várias apresentações individuais e em grupo. Piano, violino, flauta e órgão. Ao final, todos os jovens que se apresentaram individualmente ou em dueto se juntaram em coral e, com o fundo musical do piano cantaram a Ave Maria em inglês, depois em árabe e finalizou em hebraico.

 

Aqui ficou muito claro para mim que política e religião separam as pessoas, enquanto a música une!

 

 

 

 

 

 

Diário de Bordo 38 – Fazendo amigos em Jerusalém

 Aqui fiz dois amigos árabes, donos de loja e restaurante. Midal é um rapaz de 27 anos, filho de uma linhagem pura de beduínos comerciantes. Ele é muito rico e sua família é proprietária de 23 lojas aqui, em Tiberíades, Mar Morto, Nazaré e Jericó. Ele toma conta de uma das lojas de sua família. O carro chefe de sua loja – Amber Gallery, são os tapetes orientais e as jóias de ouro, prata e pedras . As bolsas, lenços e outros apetrechos não são produção deles, mas eles compram de um fornecedor e revendem, com somente 400% de lucro.

Midal fala, mas não escreve em inglês, francês ou alemão. Assim como eu, ele conhece o básico das línguas só para se comunicar. Ele só escreve em árabe e, quando eu pedi para ele escrever seu nome em nossa língua corrente, para eu poder entender, foi uma dificuldade, pois ele está acostumado a escrever da direita para a esquerda. Coisas mínimas como essa a gente só se dá conta quando cria intimidade.

A loja dele fica a 30 metros da entrada da minha casa. Então eu passava por lá o tempo todo que saia ou entrava e ele sempre me convidava para entrar. Todas as vezes eu apenas sorria abaixava a cabeça e passava batida. Quando eu voltei, desta segunda vez, quando ele me viu, simplesmente impediu a minha passagem e disse “pleeease, entre na minha loja, eu te convido para um chá ou um café, você escolhe”. Então, eu disse para ele que aceitava um café, mas que ele iria perder seu tempo comigo se quisesse me vender algo, porque eu não estava ali para fazer compras, mas para fazer amizades e seguir os passos de Jesus, porque eu era cristã. Ele aceitou a minha proposta e a partir dali nos tornamos amigos e eu passei a tomar chá com ele todos os dias, em sua loja, porque o café era horrível. Ele com seu sangue nato de vendedor não deixava de tentar me vender qualquer coisa diariamente. A cada dia tinha uma novidade para me mostrar e me dizia que eram todas suas criações. Eu fingia acreditar e ele ficava feliz com meus elogios.  Ele se diz designer de jóias, como seu pai e seus tios. Eu experimentava seus colares, brincos e anéis, belíssimos de ouro e prata e depois devolvia. Sentava em sua cadeira para saber das novidades, das vendas e da vida dele e de sua família. Eu passei parte do meu mundo para ele e ele passou o dele para mim. Foi ali que nós dois pudemos ver como são diferentes os nossos mundinhos, as nossas culturas, mas os nossos sonhos se direcionam para o mesmo lugar. Paz, amor, saúde, cumplicidade e realizações. Ele ficou encantado com a minha história de viagem. Ele não conseguia entender como é que eu podia passar 30 dias de férias sozinha, sem a companhia de minha família e, ainda por cima não era casada e não tinha filhos. Ele tem duas irmãs e as mulheres da família só podem trabalhar fora em escolas e com as crianças.

De acordo com a cultura dele ele pode casar até com 4mulheres. A 5ª é contra a Lei. Ele ama futebol e conhece todos os jogadores do Brasil. Dei para ele um chaveirinho e uma camiseta com a bandeira do Brasil, que trouxe para presentear. Ele também gostou da minha blusa “See you in Búzios” mas, como era tamanho M, não deu nele.  Quem for para Israel em breve me avise, para eu mandar uma camisa para ele, tamanho G.

O outro amigo que fiz foi o Salomon, também árabe, dono do David Cousine, 100m abaixo da loja do Nidal. É lá que eu como falafel, com pão árabe, bastante salada, húmus com bolinhas fritas de grão de bico. O segredo é o tempero, que  Salomon me deu um pouco, para eu levar para o Brasil. No primeiro dia que fui ao restaurante dele notei que tinham várias bandeiras de vários países, menos a do Brasil. Dei a minha para ele, que a pendurou imediatamente. Ele me disse, no dia seguinte, que eu poderia ir comer lá na hora que eu quisesse de graça, porque a bandeira atraiu novos clientes brasileiros que nunca tinham entrado lá. Well, agora tenho um lugar para comer diariamente, na companhia do meu novo amigo árabe. Eu disse que não queria nada de graça, bastava ele me dar um bom desconto. Ganhei então 50% e toda vez que eu passava em sua porta ele me convidava para tomar um chá e comer um docinho novo que ele me dava para experimentar. Experimentei os mais diversos sabores de chás de flores misturados com ervas e frutas e ele me preparava docinhos maravilhosos. Cada dia era uma novidade. Delícia de mimo!

Salomon, que é árabe cristão católico, me apresentou numa tarde o seu sócio, que é judeu (eu esqueci o estranho nome dele). Os dois têm dois restaurantes na Jerusalém fortificada. Salomon toma conta deste, no bairro cristão e seu sócio, no bairro judeu.   Conversei com os dois a respeito da situação Israel x Palestina e eles me contaram que o problema é mais político e entre os grandes. Os pequenos empresários, como eles, vivem em comunhão ali e em muitas outras cidades de Israel.

Não sinto que este seja o sentimento da maioria dos árabes. Conversei com muitos deles e muitos são tremendamente radicais e não reconhecem Israel. Para estes, ali é Palestina e pronto. Os judeus são os invasores de suas terras. Estes estão ligados e antenados com todo o movimento na política internacional e não gostam nem um pouco da influência do Obama, presidente dos EUA. Assim como os sionistas radicais, eles são os palestinos radicais. Senti muita aversão aos judeus no coração de muitos árabes e muito medo por parte dos judeus. Eu vivia para cima e para baixo com meu boné na cabeça escrito Israel e uma pulseira no pulso esquerdo escrito Jerusalém, e um cordão com a estrela de David. Certa vez um árabe veio me indagar porque eu não colocava um boné “Palestina Free”, já que ali era a Palestina e não Israel? Descobri que nenhum árabe se considera israelense. Todos são palestinos e ali é a terra deles, onde eles e seus ancestrais nasceram. Os judeus, que vieram de todas as partes do mundo, com as mais distintas nacionalidades e entraram em 1948 é que são os invasores. Até então eu não havia percebido e entendido esta aversão ao nome Israel.

Digo mais uma vez que, este Blog não foi criado para defender esta ou outra teoria das duas partes, mas a única coisa que eu quero deixar registrado aqui é que eu acredito em Deus, que eu acredito na Bíblia e, que Deus separou e prometeu esta terra, que emana leite e mel, para Abraão, Isaac, Jacó e toda a sua descendência.

“Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (eu, minha família e você e a sua família estamos incluídos ali no “todas”). Gênesis 12:1,3

Tempos depois, Deus mandou Moisés ir buscar seu povo no Egito para trazê-lo para cá e, em seguida, Jesus veio como o Príncipe da Paz em busca da unidade.

Diário de Bordo 37 – É feriado de SUCOT

Descemos o Monte das Oliveiras e voltamos a pé. Em vez de entrarmos pela Porta dos Leões seguimos andando e acompanhando o Muro da Fortificação de Jerusalém pelo lado de fora, pois eu queria mostrar a minha amiga as Tumbas de Absalão, de Tiago e Zacarias, que estão incrustadas na rocha e foram descobertas através de escavações arqueológicas.

Depois seguimos em direção a cidade de David e entramos para a cidade antiga, pela porta do Esterco, que já sai dentro do bairro judeu. Passamos pelo check point e nos deparamos com uma Praça lotada de gente, em frente ao Muro das Lamentações.

É feriado de Sucot. Para mim, que é o meu terceiro feriado na Terra Santa, este é o mais colorido e divertido.

Os judeus sobem de suas cidades para Jerusalém. Jesus também subiu a Jerusalém nesta época, para celebrar a festa das cabanas.

Naquela época eles traziam suas primícias e cordeiros para imolar juntamente com outros animais e cereais para oferecer em sacrifício e como aroma suave a Deus.

Hoje, eles trazem 4 tipos de plantas diferentes e a cada dia fazem orações específicas. As 4 plantas são: palma de tamareira, parreira da uva, da murta e a última eu não descobri que planta é.  A idéia é a diversidade de espécies que elas representam na agricultura.

Os judeus montam cabanas em suas varandas e jardins e dormem e comem dentro delas durante todo o período de festividades.

Os empresários e donos de bares e restaurante montam também cabanas nas portas de seus estabelecimentos. As ruas ficam enfeitadas e alegres.

As cabanas não podem ser construídas de qualquer maneira. Elas não podem estar debaixo de árvores ou tetos.

Sucá, cabana ou tenda, não importa o nome que se queira dar, significa para os judeus a lembrança dos tempos em que seus ancestrais saíram do Egito e passaram pelo deserto.

São várias as orações que os judeus fazem. Eles agradecem a semente, a colheita do ano que passou e pedem bênçãos em forma de chuva para irrigar suas terras e preparar a terra para o próximo plantio, neste novo ano.

Eu acho que os judeus tiram férias nestes 7 dias de festividades, porque eles passam o dia orando diante do Muro das Lamentações e as ruas estão lotadas e o comércio fechado no bairro judeu.

O engraçado é que na mesma pequena cidade, nos outros 3 bairros: cristão, muçulmano e armênio, tudo funciona, o mercado abre suas portas normalmente o dia todo, como se nada estivesse acontecendo, do lado de cá. É aqui e agora que se vê que não existe harmonia entre os povos e, ao mesmo tempo se vê a verdadeira democracia.

Os judeus que não moram na cidade fortificada, mas na Jerusalém nova, veem de todas as direções e, para entrar no Muro das Lamentações precisam passar por uma das 7 atuais portas de Jerusalém, que são: Damasco, Nova, Jafe, Sião, Esterco, Leões e Herodes.

Eles andam rápido com a semente do dia, nas mãos, em forma de galho, protegida em uma embalagem transparente, plastificada, comprida e fina.

Durante o dia as ruas estão lotadas de gente feliz, com pais e crianças brincando e rindo. Na Rua Ben Yehuda, cheia de bares e restaurantes, aparecem bandas tocando com tambores e atabaques animando o povo a dançar e cantar.

À noite acontecem festivais de música em vários pontos da cidade, dentro de cabanas construídas para receber bastante gente.

                      A  celebração do SUCOT é alegre e muito divertida.

          

Melhor ainda com a lua cheia irradiando toda a energia criada por Deus. Shalom!

 

 

Diário de Bordo 36 – Subindo e descendo o Monte das Oliveiras

Saímos pela porta dos Leões e entramos à direita por uma porta que dá diretamente no cemitério muçulmano, aos pés da porta Dourada, que está fechada com tijolos.  Segundo minha amiga, os mulçumanos resolveram fechar essa porta porque foi por aqui que Jesus passava e tinha livre acesso entre o Monte do Templo e o Monte das Oliveiras, onde ele ia orar observando a cidade de Jerusalém. Daqui se tem uma visão esplêndida do Monte das Oliveiras.

Voltamos para o Lyons Gate e subimos a rua ao lado dos muros da fortificação e depois entramos na primeira rua à direita, que dá acesso ao meu Monte (das Oliveiras). Fomos primeiramente a Igreja de Getsêmani, também conhecida como a Igreja de todas as Nações, ou a Basílica da Agonia. O altar da Igreja foi construído sobre a rocha onde Jesus se ajoelhou em agonia de morte e transpirou sangue. Foi ali que Jesus disse: “Meu Pai, se possível passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, mas como Tu queres” Mateus 26:39.

Ao lado da Igreja estão o Jardim de Getsêmani com pés de Oliveiras, que podem ser da época de Jesus, uma vez que essas árvores renascem das cinzas e se renovam continuadamente e, a gruta da Traição onde os apóstolos Pedro e os 2 filhos de Zebedeu adormeceram e Jesus ficou muito chateado com eles, porque dormiram e não foram capazes de vigiar enquanto Ele orava.  Leia Mateus 26: 36,46

Continuamos a subir e passamos pelo cemitério judeu que ocupa um grande espaço no Monte das Oliveiras. No caminho você encontra de tudo. Pessoas na rua pedindo esmolas, homens jogados ao chão e mulheres carregando crianças no colo. Árabes enfeitam burrinhos, para posar para foto por qualquer trocado.

Continuamos subindo a pé e paramos na porta da Igreja Dominus Flevit, que estava fechando. O porteiro, quando me viu com a camisa do Brasil me perguntou sobre o Neymar e me mostrou o jornal do dia, com uma foto do jogo do Brasil. Conversamos um pouco e ele nos deixou entrar para uma visita, só porque eu era brasileira e ele gostava do nosso futebol!  Brasil 1 x 0 França Rrsrsrs Brinquei com minha amiga Anne Marie.

Entramos na Igreja que tem um visual fantástico diretamente para a Cúpula da Mesquita Domo da Rocha, onde provavelmente era o lugar exato do Santo dos Santos, onde deveria estar a Arca da Aliança na época de David e Salomão e onde deveria estar a Sinagoga na época de Cristo, pois eles construíam sempre em cima dos lugares sagrados.

Foi aqui, neste local, simbolizada pela Igreja Dominus Flevit, que Jesus chorou, porque o seu povo não entendeu o seu chamado e derramando lágrimas Ele disse, conforme está escrito em Lucas 19: 42,44

“Ah! Se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isso está oculto aos teus olhos. Dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de filhos que dentro de ti estiverem. Não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade que Deus te deu”.

Eu e Anne Marie ficamos ali sentadas em silêncio profundo, dentro da Igreja e olhando a cidade de Jerusalém, através do vitral central. Não precisávamos falar absolutamente nada. O próprio silêncio do lugar e a imagem que víamos diante de nossos olhos diziam tudo.

Continuamos a subir o Monte das Oliveiras e entramos por uma porta que sai dentro de uma caverna. O árabe nos informou que ali pode ser o lugar das tumbas onde foram enterrados vários profetas, entre eles Ageu e Malaquias. Ali no subsolo tem aproximadamente 50 tumbas em distintas cavernas. É um breu total e vamos seguindo com velas nas mãos para poder enxergar o caminho. Somente quando eu sai de lá é que me dei conta que a minha lanterna estava na minha bolsa. No problem!

Continuamos a subir e chegamos ao topo do meu Monte, onde tem uma Igreja Ortodoxa. O lugar é muito tranquilo e só pude entrar na Igreja depois de vestir uma saia comprida que me foi entregue por uma irmã/madre/freira, na porta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 Sentamos no topo do Monte e ficamos observando a cidade à  nossa frente. Perdemos a noção da hora. Eu não tenho mais relógio, porque o meu parou de funcionar em Tiberíades. Desisti de me preocupar com o tempo. Ele pertence a Deus e aqui, aonde vim só para adorá-Lo não quero me preocupar com as horas, pois estou na casa Dele. Foi Ele quem me trouxe para o lugar da promessa.

Obrigada Jesus! Eu te amo!

Descemos o Monte em direção ao Muro das Lamentações. Queria encontrar amigos queridos de Búzios que estavam chegando de uma excursão vinda do Brasil, passando pela Grécia, para Israel.

     

  É momento de festejar o Sucot!

  É tempo de celebrar a  Festa dos Tabernáculos!

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